quinta-feira, 19 de novembro de 2009

"...porque viestes do barro e ao barro voltarás..."



Aos 85 anos, vividos com a certeza na frente, Izabel Mendes da Cunha, a mestra maior do Vale do Jequitinhonha, vai recebendo o reconhecimento à arte que sai de "sua idéia" e ganha vida através de suas calejadas mãos. Capa da Revista O Globo, do dia 8 de novembro, a "mulher de barro", além de presentear os repórteres com as riquezas de sua trajetória e com as saborosas estórias do lugar, explicita e partilha sua sabedoria de vida e mestrança com o vigor e a precisão de um Rabindranath Tagore ou de um Gurdjieff.

"Tudo já aconteceu com a gente. A riqueza que eu tenho é com a graça de Deus, mas na pobreza já passei muita dificuldade. Pobre não, porque dizem que pobre é o demônio. Mas já passei falta das coisas, e remediava mesmo com a precisão. Você sabe como é que a gente remedeia com precisão? Quando você está com precisão de comprar uma coisa para comer ou vestir, ou um remédio, e não tem condições, aí puxa a calma, passa dois ou três dias precisando daquilo. Lá pelo terceiro dia você amanhece vivo e vai arranjar as coisas. Você não morreu, você remediou com precisão", ensina.

A artesania de Dona Izabel começou cedo e foi virando referência para gerações de artesãos do Jequitinhonha, lugar de grande diversidade cultural, reconhecida no Brasil e no exterior. Em 2004, recebeu o Prêmio Unesco de Artesanato para a América Latina e Caribe (ganhou o primeiro lugar com sua já antológica boneca amamentando) e, em 2005, a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo Governo Federal.

Agora, em 2009, fará a sua primeira exposição individual, que começa dia 7 de dezembro, em São Paulo (Galeria Estação, organizada por Germana Monte-Mór e Vilma Eid), junto com um documentário, de Hilton Lacerda, co-diretor de "Cartola", filmado em sua casa, em Santana do Araçuaí.

É também nome de prêmio: o "Prêmio Culturas Populares 2009 - Mestra Dona Izabel Mendes da Cunha - Cerâmicas", que oferece incentivos de R$10 mil a ela e a 195 selecionados.

"Isso ninguém nunca me ensinou. Tudo que sei saiu de minha idéia. É dom dado por Deus", costuma dizer.

Que se erga um brinde de vida longa a Izabel e a este lugar no mundo chamado Vale do Jequitinhonha!

Um comentário:

Myriam disse...

querida déa,
q lindo momento vivido em natal, eu posso imaginar.viva os mestres!
q trabalho maravilhoso o de izabel, no vale tão rico. no dizer do artista e professor josé alberto nemer, o jequitinhonha, um dos lugares mais pobres do país produz a cerâmica mais preciosa.
beijo grande, saudades,
myriam